ferrugem

do resto

do toco

do osso          o oco

 

- aqui se faz aqui

ce paga

    prego

     praga

      conto

       ferpa

        estrepe - corroendo estas em ferrugens

 

2Fe + O2 + 2H2O → 2Fe(OH)2

ferrugem nasce e cresce independente, famigerada, sorrateira onde quer que não esteja e onde menos se esperar, surgirá como ferida purulenta e ingênua. corrosiva beleza.

Inúmeras mutações químicas incidem sobre os mais diversos componentes minerais todo o tempo ao nosso redor, os materiais metálicos compostos essencialmente de ferro [Fe] ao ficarem expostos ao ambiente propiciam reações em cadeia que acabam por iniciar os processos de deterioração natural de seus componentes e isso ocorre devido ao contato deste elemento químico com os átomos de oxigênio [O] presentes no ar atmosférico e na água [H2O].

 

a síntese deste fenômeno natural se dá à partir de uma reação de oxirredução, ocasionada quando há entre os átomos envolvidos a transferência de elétrons. o ferro quando submetido ao processo de corrosão perde seus elétrons e se reduz. oxidando-se. estando-o inibido do contato com o oxigênio ou a água, permanecerá integro.

a ferrugem se apresenta numa gama surreal de tons alaranjados que dia após dia se deteriora numa paciente e poética destruição. os farelos que caem, formam uma fuligem acobreada. uma parte daquilo que foi, se tornando novamente aquilo que era: pó.

ao longo dos anos se buscou encontrar a ferrugem onde quer que ela estivesse; registro de cores, formas e destruição, se pode encontrar em ruas, paredes, caibros e terrenos a ferrugem em seus vários estágios – nascimento, efervescência, decomposição – e recolheu e catalogou, dezenas de objetos de trabalho, cujas ferrugens se-lhe parecem intrigantes.

a ferrugem continua a corroer estes objetos na minúcia de um trabalho sigiloso, que certo dia levará o todo ao seu derradeiro fim. a ferrugem é argilosa e intercambia entre os materiais numa troca infundada de cores e corrosões, explodindo a cada nova umidade uma textura áspera e dócil. Não pode o autor estimar o tempo de vida que durará cada obra-objeto, nem pode ele mesmo afirmar se o fim é o objetivo e a verdade do conjunto